Pular para o conteúdo principal

Postagens

E DEPOIS?

Haverá espaço ou, até mesmo, querer, pós tantos acontecimentos contidos num curto espaço-tempo? Depois de tanta ausência física?... Como se (re)encontrar depois do tanto que se perdeu? Depois que o oculto foi revelado? As máscaras realmente cairão? Será possível se reconhecer, permitir-se ver fora do chamado virtual? Se já não sabíamos quem éramos, como saber agora? Agora... Como se parecerá o "novo normal"? Empoeirado. Mofado. Destelhado. Vazio. O que restará dentro? Algo permanecerá inteiro ou, com pedaços que lembrem o que um dia foi? Algo passível de ser reconectado? Teremos tato para voltarmos a sermos palpáveis? Abraços. Apertos. Aproximação. Com que olhar enxergaremos o outro, agora que o lemos digitalmente, remotamente, visto por último... Como recolocar no lugar as coisas que vieram pra dentro sem nem pedir licença? Precisaremos de adaptação para ser o que um dia fôramos, mesmo agora, que já não somos os de outrora? Seremos (re)configurados? O que restará para reform...

SE ATRAVESSA O CAOS?

  “ Como atravessar o caos e permanecer humano? ” Li em algum lugar, não vou precisar aonde, e nem, de quem... Pois, eu tenho lido. Tentativa de fuga? Ou munição?   Beiramos o meio milhão de mortos... Nos tornamos o balanço negativo de uma planilha estatística. E o abismo-caos-poço não tem fim. Estamos em queda livre num sonho do qual não se acorda porque, adivinhem só, não estamos dormindo. Apenas peões dispostos no tabuleiro vendo as peças caírem uma a uma “ do pó viestes, ao pé retornarás ”.   O que dói? Saber que uma única escolha poderia ter nos dado uma narrativa diferente de boa parte dessa história confusa e cruel da qual sofremos enquanto personagens em clausura.   Distanciamento, máscara e álcool em gel. Um contra todos e, boa parte do todo, contra um... Quiséramos que o nosso maior mal fosse o vírus!   Curioso como da vista da janela, a vida segue seu curso normal. Pessoas, carros, reuniões, aglomerações, multidões... “ Arraste ” para...

DESASTRE NATURAL

Estamos em meio a uma onda que não se pula, e nem se surfa. Bem semelhante a um tsunami. Perdemos as contas dos dias que acreditávamos ser finais. Ingenuamente, dizíamos: “novo normal”. Esperança... O que esperávamos? O que ainda esperamos? A cura!? Um milagre!? Quem sabe somente respeito pela vida, pelas milhões de vidas. Parar a morte... Parar a fome... Fechar os olhos e quando abrir, ver que a tempestade passou. Que o pesadelo não pode te alcançar, agora que seus olhos estão abertos. Aquele chacoalhar que te desperta, acompanhado de um “estou aqui”.   Não há abraços... Não há voz... Não há despedida...   Esse pesadelo já passou de trilogia. Já é muito mais do que uma sequência ruim. E foi filmado em 3D. Batem na porta, e ninguém atende. Os corpos vão chegando, vão chegando, vão chegando... E são deixados na calçada. Estamos lotados. Não há vagas.   Um grito abafado. Outra pá cheia de terra. - Por favor, um prato de comida!   Festa...

COMO É NÃO SE IMPORTAR?

Tenho evitado pensar para não ser avassalada pelas palavras, pelos pensamentos que não permitem que os olhos se fechem, mas, cada pro-nun-ci-a-men-to reflete a dor da facada que não sangrou... Como se calar diante de tantas palavras e inações que “fingem” serem sem propósito. Propósito há, mas não é em prol do bem, e nem de mim ou de você. “E daí?” Não assumir um lado ou crer que só há um lado que reflita o “bem maior”, tem superado o que creiamos ser o fundo do poço. O “eu avisei” deu lugar ao “a culpa é sua”, sim, porque a escolha foi consciente. Queriam alguém que desse vazão aos seus monstros. Queriam e querem muitos dos nossos mortos. E estamos morrendo... Mas, nem imaginam quão fortes os que sobreviverem serão. “Vocês vão ficar chorando até quando?” Quase 300 mil mortos (SÓ por Covid) e nossa dor, como sempre, é resumida a mi mi mi. E há os que defendem o indefensável. Como coloca a cabeça no travesseiro e dorme? Eu estou a meses sem dormir. De mãos atadas. Contando os corpos...

SABE NOS SONHOS...

  Sabe nos sonhos? Quando a gente grita e não sai som algum? Estou num desses sonhos. Só que não sei se é o som que não sai, ou se eu quem já desistiu de gritar, já que ninguém vai ouvir.   Afinal, tudo está dentro. Tudo é. Tudo sou. Tudo soa. Ressoa. Vibra.   Perdida em outra dimensão. Imersa em mim.   Quisera tudo fosse apenas um sonho, porém, ao final da queda, cai-se em si, e acordamos pro real.   Sabe nos sonhos? Já não grito. Aprecio a queda. Porque não sei quando chegará o dia em que não será mais possível acordar.   Tudo o que há de concreto é esse instante de dúvida.   Vida e morte. Aqui e agora.   O fôlego antes do grito final.   Sonho. M.P. 2020

QUANDO EU ME DESCOBRI NEGRA

Muitos vão dizer: “Nossa! Como assim se descobriu negra?” Exatamente. Por isso, eu tentarei explicar aqui um cisco da necessidade de se descobrir ser o que se é... Quando eu me “descobri”. Porque a gente nasce negro, porém, só se descobre negro quando aceita esse fato, não como algo punitivo (como nos fazem pensar durante grande parte da nossa vida), e sim, com consciência de ser. O atual “empoderamento”. Pois, nos tiram tanto... Nos minimizam... Nos hiperssexualizam... Nos rebaixam a condição de coisa, de objeto, de só mais um corpo, de mais um número dentro das estatísticas... Que a gente nega o que é, até mesmo sem perceber, para tentar que nos percebam e nos aceitem, e aí, deixamos de ser... Então, sim! A gente precisa se descobrir negro. Se apropriar do direito de ser gente. Ser a gente mesmo, e se saber lindo. A primeira vez que eu olhei no espelho, e pude me orgulhar do que eu via, é uma lembrança pertencente a um futuro muito mais recente do que eu gostaria que foss...

O LADO B DA RELAÇÃO

Crescemos ouvindo: “... e foram felizes para sempre”. Mas, ninguém nos diz o que acontece quando o encanto acaba. Quando deixa de ser novidade, e nos encontramos nus (não de corpo), mas, de alma. Portanto, em vista disso, eu gostaria de falar aqui sobre o lado B da relação. Aqueles dias de mau humor, de querer ficar num canto na sua, o não querer dar o braço a torcer, quando as longas conversas se tornam apenas algumas frases, ou mesmo sílabas soltas. Quando você para e pensa: “será que vale mesmo a pena?” “Até que ponto é cuidado, resiliência?” “Até que ponto é comodismo?” “Medo de ficar sozinho?” Por que não se diz o que acontece depois, quando, claramente, não é um conto de fadas? Os opostos não se atraem! Cada ser é único. Completo. E tudo o que ele quer é partilhar. Doar um pouco de si. Ensinar e aprender com o outro. Lindo, né? Não é! Você só acessa o outro o quanto ele permite. O quanto ele quiser que você saiba e/ou conheça. E aí está o lance. Relação é estar disposto. ...