Me preocupa de verdade o silêncio dos homens diante de todos estes acontecimentos hediondos contra as mulheres. “Ah, que eu tenho mãe, eu tenho filha, eu respeito as mulheres do meu convívio”. Será? Se você só pensa na proteção das mulheres do seu convívio, talvez você não as respeite tanto assim, visto que não há "tipos" de mulheres, existem mulheres e ponto. E, se você não entende que esse respeito é coletivo e não seletivo, talvez seja necessário rever os seus atos. Além de começar a trazer, pra ontem, essas pautas pro dia a dia.
Vocês conversam com os "seus manos", "seus parças", "seus trutas" sobre o horror do noticiário? Vocês estão "preocupados" só com as mulheres do seu âmbito familiar, ou entendem que o problema se estende pra além da sua bolha?
Eu posso contar nos dedos de só uma das minhas mãos os homens da minha bolha que se manifestaram de alguma maneira sobre o que vem acontecendo. E isso me traduz muito sobre todos os restantes. E a sensação não é boa. Esse saber não é bom. Isso só me afirma que não estamos seguras em lugar nenhum. Se não é possível dialogar sobre, quem dirá "acreditar" que ainda nessa vida será possível se pensar segura em algum lugar. Que a probabilidade de morrer de morte matada é muitíssimo maior do que a de morrer de morte morrida.
Essa fragilidade do masculino nos mata todos os dias.
Que medo é esse? Que ódio é esse? Querem provar o quê e pra quem?
"Ah, eu tenho um pau então eu mando no mundo". Ah, meus óvulos!
Leiam mulheres. Ouçam mulheres. Vejam (e não apenas desejem) mulheres. A gente para de temer o que a gente conhece. Esse ódio dirigido a nós é medo. Só que o seu medo está sendo traduzido
Traumas, cicatrizes, frustrações, todos nós temos. E a gente trata tentando compreender de onde vem essa distopia, reorganiza e cura. Não sai por aí fazendo birra e matando porque não conseguiu o que queria.
Os tempos são outros você gostando disso ou não. Se isso fere o seu ego, é um problema seu. Não há mais espaço para submissão e mortes. Diremos não, sim, se algo nos desrespeitar e ultrapassar combinados, ou que tenha indícios de nos ferir/matar. E seguiremos como únicas donas dos nossos corpos e das nossas vidas.
Sua presença será bem vinda contanto que venha pra somar, e não, nos subtrair.
Não é um texto de ataque. É um texto apenas informativo. Não há comemoração, o que há é luta diária pelo mínimo que é permanecermos vivas. E seguras em algum lugar.
MP Mar/2026

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