Pular para o conteúdo principal

NÃO ME PARABENIZE POR NADA SE VOCÊ NÃO FAZ PARTE DA LUTA PRA ME MANTER VIVA!


 

Me preocupa de verdade o silêncio dos homens diante de todos estes acontecimentos hediondos contra as mulheres. “Ah, que eu tenho mãe, eu tenho filha, eu respeito as mulheres do meu convívio”. Será? Se você só pensa na proteção das mulheres do seu convívio, talvez você não as respeite tanto assim, visto que não há "tipos" de mulheres, existem mulheres e ponto. E, se você não entende que esse respeito é coletivo e não seletivo, talvez seja necessário rever os seus atos. Além de começar a trazer, pra ontem, essas pautas pro dia a dia.

Vocês conversam com os "seus manos", "seus parças", "seus trutas" sobre o horror do noticiário? Vocês estão "preocupados" só com as mulheres do seu âmbito familiar, ou entendem que o problema se estende pra além da sua bolha?

Eu posso contar nos dedos de só uma das minhas mãos os homens da minha bolha que se manifestaram de alguma maneira sobre o que vem acontecendo. E isso me traduz muito sobre todos os restantes. E a sensação não é boa. Esse saber não é bom. Isso só me afirma que não estamos seguras em lugar nenhum. Se não é possível dialogar sobre, quem dirá "acreditar" que ainda nessa vida será possível se pensar segura em algum lugar. Que a probabilidade de morrer de morte matada é muitíssimo maior do que a de morrer de morte morrida.

Essa fragilidade do masculino nos mata todos os dias.

Que medo é esse? Que ódio é esse? Querem provar o quê e pra quem?

"Ah, eu tenho um pau então eu mando no mundo". Ah, meus óvulos!

Leiam mulheres. Ouçam mulheres. Vejam (e não apenas desejem) mulheres. A gente para de temer o que a gente conhece. Esse ódio dirigido a nós é medo. Só que o seu medo está sendo traduzido em morte. E nós estamos combinando de não mais morrer pela mão de nenhum de vocês. Sabe quando a gente faz uma poda em uma árvore? Pois é, renascemos mais fortes. E estamos nascendo da dor. Estamos nascendo da raiva. Estamos nascendo do SEU ódio a nós. E essa conta vai ficar bem cara. Que mulheres vocês acham que vão nascer/crescer disso tudo o que estamos absorvendo? Não é praga lançada e nem vingança (ainda), é só a constatação de um fato. É apenas uma reação vinda de SUA ação. Estamos cansadas ​​de toda a sobrecarga que nos é imposta pela sociedade, e de sermos culpabilizadas por tudo o que está desconexo no mundo. De não nos julgarem vítimas, e sim, a causa de todo o mal. Todo desequilíbrio gera uma ruptura. A corda vai arrebentar. Estruturas vão desabar.

Traumas, cicatrizes, frustrações, todos nós temos. E a gente trata tentando compreender de onde vem essa distopia, reorganiza e cura. Não sai por aí fazendo birra e matando porque não conseguiu o que queria.

Os tempos são outros você gostando disso ou não. Se isso fere o seu ego, é um problema seu. Não há mais espaço para submissão e mortes. Diremos não, sim, se algo nos desrespeitar e ultrapassar combinados, ou que tenha indícios de nos ferir/matar. E seguiremos como únicas donas dos nossos corpos e das nossas vidas.

Sua presença será bem vinda contanto que venha pra somar, e não, nos subtrair.
Não é um texto de ataque. É um texto apenas informativo. Não há comemoração, o que há é luta diária pelo mínimo que é permanecermos vivas. E seguras em algum lugar.


MP Mar/2026

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É UMA MENINA!

      “- É uma menina!” Disse o médico todo sorridente que não podia supor o porquê do sorriso daquela mãe ter desaparecido. Não! Ela não preferia um menino. Apenas resolvera com qual dor lidar quando fosse o momento.      O sorriso já havia desaparecido no instante que soube que estava grávida. Não deixava de pensar que talvez tenha sido muito irresponsável da parte dela trazer uma vida a esse mundo. Afinal, quem em sã consciência permite que uma criança negra venha a esse mundo, o SEU mundo, que a cada dia se mostra mais cruel com os seus. Mas, resolvera ir até o fim com a gestação.      “- Prefere menino ou menina?” Era o que sempre lhe perguntavam. Essa era outra dor que deixaria pra quando fosse o momento. Lidaria com uma dor por vez, assim esperava. Por hora, precisava lidar com o fato de ela mesma ser uma mulher grávida nesse mesmo mundo de horrores no qual ela gerava uma vida... “que terá que tipo de vida?”    ...

Agressivo? A partir de qual ponto de vista?

  Queria me abster e deixar passar como tantos outros assuntos? Queria. Mas, tem coisa que bate de um jeito, ativa uns gatilhos brabos, que se eu não colocar pra fora me sufoca... Já tenho coisa demais interiorizada que só hoje tenho maturidade para entender, mas, que ainda me machuca muito, embora eu tenha aprendido a lidar com muitas delas. Portanto, não vou guardar nada, não!   Mas, como bem disse o Emicida "a dor dos judeus choca, a nossa gera piada", e, graças aos céus nem todo mundo está deixando passar esse tipo de piada, ou falas atravessadas, que depois tentam ser consertadas com "eu não tive intenção, não foi bem assim", acompanhado de nota de "retratação". Estão  chocados porque houve "reação", e não, com o fato de já ter passado da hora de repensar esse "entretenimento" que ofende, machuca, humilha, destrói.  Estão chocados porque não estamos no lugar que nos colocaram de "submissos". Est ão chocados porque a r...

SERVIR E PROTEGER

De onde eu vim os “super heróis” não chegam. Por aqui, é um por todos e, todos por um, e o UM e o TODOS sabem que a “bala perdida” tem o nosso endereço. Somos nós que baixamos o olhar e dizemos “sim, senhor... não, senhor”, que, só por termos “a cor dos quatro Racionais”, somos os suspeitos. Errados pelo simples fato de existir. A cada dia um novo “caso isolado” é filmado... É possível nos ver morrendo pelo ângulo que você preferir. Mas, a ordem, ou melhor, o lema é “servir e proteger”. A quem? Porque, como eu disse, de onde eu vim, o grito de socorro é julgado. Para ser validado, é necessário estar em um certo lugar da cartela de cores. Mas, atirasse primeiro e elabora uma história depois. E o responsável é realocado até que a poeira baixe, afinal, ele está servindo e protegendo. Servindo um espetáculo aos que acreditam que a nossa vida nada vale, servindo mais um corpo preto no chão (talvez, a nova bandeja de prata). E protegendo todos aqueles coniventes com esse legado. “Ah mas,...