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Qual o sentido da vida pra você?

A única certeza que temos é a de que um dia vamos morrer. Errado. Negamo-nos a ver que para continuarmos vivos, temos que envelhecer. E isto, embora, sabido, é negligenciado. Buscamos formas de “retardar” o envelhecimento, para prolongar a vida (irônico o ser humano, não é?). Prolongar a vida é prolongar o ato de envelhecer. E por que razão será que isto nos assusta? Eu gosto da forma como os meus textos alimentam-se para serem escritos. Gosto das coisas, formas e imagens que provocam meu descodificar. Hoje foi um seminário sobre “envelhecimento”.  Um seminário!? A gente nunca espera que um seminário seja algo provocador, ao menos, eu não esperava que assim o fosse. Surpreendi-me! Quando algo me põe a refletir... Escrita. Ma-tu-ra-ção. Voltemos ao velho. Soa ruim, né? Velho. Como algo que não se quer, não se deseja, não orna, não brilha. Como algo que não é, e nunca se quer ser. A partir do momento em que se nasce já se caminha a ser velho, ao envelhe...

MENINA MULHER DA PELE PRETA (lado B)

Meus textos andam meio “desabafos” e eu desgosto até a página 2 desta constatação. Existem assuntos difíceis, e existe a necessidade de se expelir o que lhe incomoda. Assim como no nosso organismo, um corpo estranho é repelido, bloqueado, inutilizado. Meus textos não são raciais. E não se pressupõe, por um texto, a qual “raça” pertença seu escritor. Mas, o teor do desabafo faz com que se necessite dizer, jogar pra fora. - Sou negra. (e ser negra não (d)(es)gosta, também, até a página 2) Muitos acreditam que o preconceito racial está findo, diminuído, arquivado. Parafraseando a virtualidade – “só que não”. Faz-se parecer tão sutil que fica fácil acreditar. Alguns textos saem porque martelam tanto na mente, tanto... Alguns textos saem porque o peito fica pequeno e a mente se perde em devaneios “down”. E fechar-se em feto não é a solução. Se ponho-me ao vômito muito já degustei sem sabor... Ver de fora sempre foi mais simples. As pessoas olham e apontam as “corr...

SOLTEIRO

Nunca parei pra pensar na definição ou, no “real” significado dessa palavra. Isso se existe significado real, pois, segundo o Aurélio – o dicionário (àqueles da época Google) – “é aquele que não está casado”. Mas, ouvi um pregador dar-lhe um significado tão “certo” pra mim, tão real à minha realidade, que provocou outras palavras e significados a serem ditos e vivenciados. Ele definiu solteiro como: "Ser distinto, único, diferente, separado e inteiro". Não como alguém só e que necessite ser completado. Mas, como alguém que precise se “encontrar” para, quem sabe, ser dois. Que para ser feliz a dois é necessário ser feliz (só)zinho... Me alegrou um novo saber e me entristeceu confirmar o só... “Então – poeta – talvez a poesia continue a ser mórbida. Provavelmente, seja o que minha poesia é.” Portanto, não me perguntem quando terei alguém, ao invés disso, questionem-me se eu já sou solteiro. O que não sei se serei antes de minha morte... Inteiro.

MENINA MULHER

Menina. Mulher. Mulher. Menina. Nasceu: Menina. Espelho: Mulher. Presa em um corpo de menina. Sufocada pela mente de uma mulher. Mulher? Menina? Relampeia: Menina. Só... Mulher. Quando tudo mudou? A ordem não é a menina tornar-se mulher? Então, por que parece tão menina se és mulher? Por que tão mulher sendo menina? Chora por ser menina ou, seca suas lágrimas por ser mulher? Estou confusa... Nasceu: Menina ou Mulher?

Não há ordem e não há progresso

“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas / de um povo heroico o brado retumbante”... O povo “heroico” bradou na Arena Corinthians, e fez ensurdecer quem quer que fosse com o grito de gol. Não há ordem e nem progresso, então, o que presumem ser esse “direito” de gritar gol, bater no peito e sentir “orgulho” de ser brasileiro? Orgulho!? Por uma pátria que a muito nem é amada e muito menos, idolatrada! Orgulho por uns terem tanto enquanto outros não têm quase nada! Orgulho da impunidade... Orgulho, poderia se pensar em ter, se todos soubessem o hino e, pelo menos, metade do que todas aquelas palavras significam. Não há ordem e nem progresso, porque eu deveria estar feliz? O pão e o circo calam multidões há milênios. Entristece que não vejam, sintam ou saibam serem manipulados. Compraram os ingressos, vestiram verde e amarelo, sentaram-se no estádio e vaiaram a presidente. Nossa! Só eu vejo que o “manifesto” foi super válido, pelo amor, né! Não liguei minha TV durante o jogo e...

Medo!?

Há tempos não sentia medo. Medo desses que dão frio na barriga estremecem a espinha e te enchem de dúvida. Quem sabe permiti amar mais do que poderia? Quem sabe a expectativa se exacerbou? Quem sabe o que você, alvo de sentimento meu, sinta? Ridículo esse sentimentalismo adolescente! Quando dei por mim estava longe o pensar... Tudo o que é dito corrói. Imaginar então? Pedi por permissão e estou com medo... E agora como calar o coração? Será que quero calá-lo? O medo é o de não encontrar a face refletida O medo... Sempre é o de ouvir um sonoro ou si-len-ci-o-so, NÃO! Milene Paula

Diálogos 001

- E a madrugada? - Pra escrever, claro! Entreter-se, ater-se, sonhar... - Então dorme? - Não. Sonhos não se dão fechados por trás dos olhos. Sonhos são despertos... - Manhã? Luz do dia? - Noite, alvorecer, deixar-se perder, esquecer... - Memória de certo? - Certo!? O que é certo? - O que não é errado? - E o não errado? Não o sendo, não seria certo? - O não certo... Errado? Não errado? - A palavra perdida na encruzilhada do pensamento. Entrou num caminho não seu nunca antes trilhado... - Poema? - Murmúrios da noite. - Madrugada então? - Tempo pra escrita, pro grito, pro perdão... Mergulho dentro de si. Tinta a se derramar sobre o papel... Madrugada então. Significada em letras soltas. - Sonho? - Por acaso viu fechar os olhos? - Mas não disse que o sonho não se dá fechado em olhos!? - De certo que não! Lisbella Lispectra