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SOLTEIRO

Nunca parei pra pensar na definição ou, no “real” significado dessa palavra. Isso se existe significado real, pois, segundo o Aurélio – o dicionário (àqueles da época Google) – “é aquele que não está casado”. Mas, ouvi um pregador dar-lhe um significado tão “certo” pra mim, tão real à minha realidade, que provocou outras palavras e significados a serem ditos e vivenciados. Ele definiu solteiro como: "Ser distinto, único, diferente, separado e inteiro". Não como alguém só e que necessite ser completado. Mas, como alguém que precise se “encontrar” para, quem sabe, ser dois. Que para ser feliz a dois é necessário ser feliz (só)zinho... Me alegrou um novo saber e me entristeceu confirmar o só... “Então – poeta – talvez a poesia continue a ser mórbida. Provavelmente, seja o que minha poesia é.” Portanto, não me perguntem quando terei alguém, ao invés disso, questionem-me se eu já sou solteiro. O que não sei se serei antes de minha morte... Inteiro.

MENINA MULHER

Menina. Mulher. Mulher. Menina. Nasceu: Menina. Espelho: Mulher. Presa em um corpo de menina. Sufocada pela mente de uma mulher. Mulher? Menina? Relampeia: Menina. Só... Mulher. Quando tudo mudou? A ordem não é a menina tornar-se mulher? Então, por que parece tão menina se és mulher? Por que tão mulher sendo menina? Chora por ser menina ou, seca suas lágrimas por ser mulher? Estou confusa... Nasceu: Menina ou Mulher?

Não há ordem e não há progresso

“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas / de um povo heroico o brado retumbante”... O povo “heroico” bradou na Arena Corinthians, e fez ensurdecer quem quer que fosse com o grito de gol. Não há ordem e nem progresso, então, o que presumem ser esse “direito” de gritar gol, bater no peito e sentir “orgulho” de ser brasileiro? Orgulho!? Por uma pátria que a muito nem é amada e muito menos, idolatrada! Orgulho por uns terem tanto enquanto outros não têm quase nada! Orgulho da impunidade... Orgulho, poderia se pensar em ter, se todos soubessem o hino e, pelo menos, metade do que todas aquelas palavras significam. Não há ordem e nem progresso, porque eu deveria estar feliz? O pão e o circo calam multidões há milênios. Entristece que não vejam, sintam ou saibam serem manipulados. Compraram os ingressos, vestiram verde e amarelo, sentaram-se no estádio e vaiaram a presidente. Nossa! Só eu vejo que o “manifesto” foi super válido, pelo amor, né! Não liguei minha TV durante o jogo e...

Medo!?

Há tempos não sentia medo. Medo desses que dão frio na barriga estremecem a espinha e te enchem de dúvida. Quem sabe permiti amar mais do que poderia? Quem sabe a expectativa se exacerbou? Quem sabe o que você, alvo de sentimento meu, sinta? Ridículo esse sentimentalismo adolescente! Quando dei por mim estava longe o pensar... Tudo o que é dito corrói. Imaginar então? Pedi por permissão e estou com medo... E agora como calar o coração? Será que quero calá-lo? O medo é o de não encontrar a face refletida O medo... Sempre é o de ouvir um sonoro ou si-len-ci-o-so, NÃO! Milene Paula

Diálogos 001

- E a madrugada? - Pra escrever, claro! Entreter-se, ater-se, sonhar... - Então dorme? - Não. Sonhos não se dão fechados por trás dos olhos. Sonhos são despertos... - Manhã? Luz do dia? - Noite, alvorecer, deixar-se perder, esquecer... - Memória de certo? - Certo!? O que é certo? - O que não é errado? - E o não errado? Não o sendo, não seria certo? - O não certo... Errado? Não errado? - A palavra perdida na encruzilhada do pensamento. Entrou num caminho não seu nunca antes trilhado... - Poema? - Murmúrios da noite. - Madrugada então? - Tempo pra escrita, pro grito, pro perdão... Mergulho dentro de si. Tinta a se derramar sobre o papel... Madrugada então. Significada em letras soltas. - Sonho? - Por acaso viu fechar os olhos? - Mas não disse que o sonho não se dá fechado em olhos!? - De certo que não! Lisbella Lispectra

O que é o X dentro de uma equação?

Afunde essa adaga em meu peito! O que lhe impede? Vejo em seus olhos que também crê em mistérios Quando não sou nenhum... Espero pelo dia em que descubro não ser tão forte (não como todos pensam) Espero pelo golpe que será o fatal, Enquanto estás aí a desvendar o indesvendável... As muralhas construídas não foram exploradas. Os olhos dão passagem à alma. O SER explica a solidão. Embora caminhe ao meu lado, não me vê E aponta ao invisível esperando que se defenda Cobra da face ao espelho: "Quem é você?" Golpeie-me! Uma hora há de parar de sangrar E quem sabe eu me encontre aí? Toda sangue ao chão, para finalmente ser eu Vista, entendida, misturada... Não mais equação. Não mais um mundo meu em mim... Sangre! O que há dentro (ex)posto pra fora. O que há dentro? Desmistifique esta equação Nomeie o "x" Milene Paula (ou não)

Não gosto da visita da morte

E sorrateiramente a morte estava a sondar meus pensamentos... Abanei... Deixei pra lá. Na TV o anúncio da morte de um grande líder. Entre nós (não menos líder) um pai, avô, tio-avô e, recentemente, bisavô. A morte não é ímpar. Costuma levar consigo mais de um exemplar... E, quando mexe com família, família grande, triplica o derramar de águas... O lembrar de momentos... Torna ainda maior a saudade. Não me agrada a visita da morte. Nunca se sabe a melhor maneira de servi-la... O que ela leva nunca é pouco. Muito se paga ao ceifador. Estremece a ideia de fechar os olhos pela última vez... E ela estava a me sussurrar... Tenho medo desse diálogo com ela. Prevê-la. Entendê-la. Esperá-la... Embalou meus sonhos. Tomou um café, embora tenha pedido por chá. E, surpreendeu-me pela manhã. Espere... Já é noite. Ela costuma carregá-los a noite para que os chore pela manhã... Quase todos eles chorados nas manhãs. Não me agrada a visita da morte. Chega. Senta-se. Não balb...