“Submissão: 1. ato ou efeito de submissão(-se) a uma autoridade, a uma lei, etc. 2. aceitação de um estado de dependência.
Submisso: que se submeteu ou se submete, se sujeitou ou sujeito.”
Vamos por essa linha aqui “aceitação de um estado de dependência”, pois, posso afirmar com toda certeza, que isso me incomoda/intriga desde que o médico disse “é uma menina” aos meus pais. A mulher vivendo “em estado de dependência” de um homem.
Sabe quando dizem que as histórias são contadas sob o ponto de vista do colonizador, do “lado vencedor”, pois bem. Ou, os “grandes nomes” da história serem de homens. Ou, por mulheres terem tido que usar pseudônimos masculinos para poderem publicar textos e fins. Quando mulheres foram perseguidas por “saberem demais”, acusadas de “bruxaria”. Quando escravizadas eram punidas caso não quisessem servir os senhores sexualmente. Ou, quando as mulheres não eram “bem vistas” pela sociedade caso terminassem seu casamento.
Você sabe qual foi o “erro” delas? Quebrar o “acordo” de aceitação do estado de dependência. Bater de frente com o patriarcado. Desmentir as histórias contadas com afinco para mantê-las, aliás, nos manter nas rédeas.
Quando nos negamos a representar o papel que nos foi proposto, nos matam, nos mutilam, nos desfiguram, nos tiram entes queridos, e nos deixamos expostas para que sirva de exemplo para que outras “repensem” suas atitudes. Para que “entendamos” que o pacto de submissão não deve/pode ser quebrado. Que temos de viver de acordo com as normas que nos foram impostas.
E, como estamos num período de retomada de direitos, adquirindo saberes, trabalhando e, principalmente, dizendo NÃO, além claro, de questionarmos as histórias, a estrutura vem sendo abalada. Ou seja, ou submissas ou mortas.
E eu, como mulher negra e de apelido Dandara, estou muito mais perto da morte do que da submissão.
"Textão". Parabéns!👏🏿👏🏿❤️🖤🤎
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