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GREVE GERAL

Hoje, tudo é um divisor de águas (de opiniões). Muitos contra, muitos a favor. Muitos que nem ao menos sabem do que se trata! E os (em cima do muro) ou, os mais comuns, os que remam com a maré, porque ir CONTRA requer um certo gasto de energia, requer TRABALHO. Enfim, independente do sim ou do não, segue minha versão DENTRO DA HISTÓRIA. Se você é assalariado, com carteira assinada, com direito a férias e décimo terceiro, folga, seguro desemprego, seguro maternidade, auxílio doença, e afins... Bom pra você (ao menos espero que seja)! Porque eu, nesse diz que me disse, dependo da minha força de (para) o trabalho. Atualmente, trabalho quase que 12 horas por dia, de segunda à sexta (há os que trabalhem de segunda a segunda). Não tenho e nunca tive a tão falada CARTEIRA ASSINADA, portanto, não sei o que são férias, folgas, décimo terceiro, participação em lucros... Caso eu queira tirar férias, preciso pensar no quanto isso afetará meu orçamento e, em que ou no que esse “privilégio” (...

I MAKE A WISH

Essa expressão é sonoramente gostosa “ I make a wish ”, por isso, grafo em inglês. Eu faço um pedido, ou um desejo: que as pessoas se conscientizem, possam abrir os olhos, que sejam estalados os dedos, e o mundo possa fazer sentido. Eu faço um pedido, ou melhor, eu tenho um desejo, um desabafo... Agora é por 3,80, já foi por 3,50 e, aos que moram na região do ABC, é por 4 reais. Pra ir, pra vir, pra voltar, pra retornar, pra tornar a vir, pra regressar. Trabalha-se para caminhar, para que se pague o caminhar: apertado, desengonçado, suado, resfriado, abafado, atrasado, saculejado, com falha no trecho... Daí, pensa-se: “Vou comprar um carro!”. Pra andar a 50km/h em fila colado na bunda de outro carro? Saímos de uma caixa para entrarmos em caixas cada vez menores (a última é o caixão, no aumentativo mas, feito sob medida). Se por uma hora de um dia qualquer ninguém fosse e nem viesse. Se por uma hora apenas ninguém gastasse um centavo se quer com transporte público. Se por ses...

PARECE ERRADO SER TÃO CERTO

De repente ali, sem mais nem menos, ao seu tempo. Todos os clichês, dos mais comuns aos mais ridículos, fizeram-se (SER), estar, crer, viver. Um dia, de frente ao espelho, a encarar-me, decidi: "(SÊ)R FELIZ!" Porém, achava que o seria sozinho. Havia decidido. Ser feliz (SÓ)-ZI-NHO. Porém, numa resposta à prece antiga, disse-me Deus: "Pegue seus SÓS, abandone um "S" e acresça um "N" (NÓS). E, como em Lispector, soube que o avesso é meu lado mais que certo. Sorrir passou a ser natural. De repente, parece errado ser tão certo. Querer estar sempre perto. Caber e se perder num único abraço. O SEU... Os poucos dias parecem anos. Contabiliza-se pelo fato de ser gostosa tamanha conexão. Quem sabe feitos sob medida. E aí...!? EU, VOCÊ (NÓS), tranquilo, de boa, únicos, de verdade... Pra comprovar serem deliciosamente ridículas, todas as histórias de amor. E eu, de repente, a viver clichês, sendo ridiculamente feliz, preenchida por (NÓS), tijolo à tij...

Ai se me dissessem...

Se me contassem, com certeza, o som emitido pela minha boca seria de uma sonora e deliciosa gargalhada, mas não, ninguém me contou. Um belo dia, decidi que seria feliz e ponto final. Um belo dia sorri ao espelho e resolvi cuidar de mim. Não é assim? Ame-se para depois ser amado? Pois bem! Sempre estive a imaginar que tudo não passava de um enorme clichê. Coisas ditas da boca pra fora. Errado. Errada, estava eu. Que bom! Passei muito tempo sem entender absolutamente nada, e de repente, tudo faz o mais completo sentido. A vida. Ai se me dissessem! Pobre de mim. Ai se me dissessem: Serás muito feliz! Gargalharia. E hoje não estaria assim... Com um belo sorriso que descobri fruto de mim, origem em ti, bem me faz você.

Desculpem

Aparentemente tudo se resume a quem eu acho que sou. Ou achava. Julgava saber. Não sou alguém que queiram por perto. Tenho palavras e reações agressivas. Um bicho. Não! Não um bicho! Um bicho é amoroso, um ser capaz de amar. Eu, aparentemente, não. Sou grosseiro. Rude. Recluso. Insociável. Não sei quem sou, ou achava ser todo esse tempo. Ao menos sei por que ninguém me quer ao seu lado. Agora sabido, quem sabe eu possa tentar acertar, ou me perder no abismo. Sabia que de alguma forma o problema era comigo. Só não sabia que machucava tanto assim. Não ser coisa alguma, e da mesma forma ferir. Não sabia que tudo podia ser visto do lado de fora da jaula. Não sabia que desta reclusão sangrava algo mais além de mim. Era pra doer só em mim... Desculpe! Eu achava que era, sim, só em mim... Minha intenção nunca foi ferir alguém mais. Desculpem! M.P. 27 abr. 2015

Clichê

Daí você se dá conta que nem tudo é um clichê. De que você, realmente, só vai dar valor quando perder, ou melhor, quando vir partir, aos poucos se afastar... Não gosto de clichês tornados letais. Estava parada ali, a ouvir ao longe o jogo de diálogos. As palavras que se cruzavam por entre olhos, mentes e bocas. Cercada de seres pensantes e delirantes. O gosto era bom! A sua mente mesmo, talvez não estivesse ali, não sabia ao certo. De repente, as palavras tornavam-se riso, e também isto era bom! Sorriu. Por pouco tempo, voltou. Interagiu. Olhou. Às vezes, outros olhos olhavam de volta... Às vezes, outros olhos requeriam atenção, para algo que estava sendo dito. Tão diferentes e tanto em comum... O não misturar de “núcleos” se faz misto sem perceber, alguns passos e estão todos ali, a debater. Percorrendo caminhos diferentes ao destino comum (inconsciente coletivo) – tudo converge à busca. Somos seres em ebulição. Todos se conhecem sem se pertencer... Não sei o que este ...

Eles não terminam comigo (nunca sei quando é o fim)

Corria, pois, já era avançada a hora. Porém, o bilhete numerado em sua mão lhe garantiria um lugar. Chegara. Sem muita dificuldade encontrou seu aconchegante assento. Ficara entre pessoas interessantes e, por ainda restarem minutos, conversou, conheceu, se encantou... Os três sinais soados pediam silêncio. Os três sinais soados diminuíam a luz. Os três sinais soados davam permissão de ver além das cortinas. Iniciou-se o espetáculo. Durante uma hora, uma hora e meia, esteve ali, envolvida. Aí então, o bailarino veio até a beira do palco, olhou diretamente para ela, e sorriu. Não reverenciou, a música não parou, a luz não se apagou... Veio a beira, olhou, e sorriu. Feito isto, as cortinas fecharam-se num baque, e a luz se acendeu. Não houve aplausos. Estava ali sozinha. Ninguém lhe disse adeus... Mal refeita, as luzes começaram a se apagar, uma a uma, indicando que já não era bem vinda. Hora de sair. Fim. Sem maiores explicações. Milene Paula