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Estou a sangrar como a chuva a cortar o céu Calada, invólucra, sem chão... Bate e escorre, corre tentando retornar à nuvem que lhe cuspiu Escorre buscando por sua identidade... E vai por ser a sua única saída Os céus jogaram e a gravidade a impede de retornar Estou gravemente jogada ao chão Sem nenhuma força contrária que me permita levantar Não choro! Por já ser a lágrima Por já ser a chuva Cuspida do céu. Nessa tarde que se faz longa para perpetuar a dor Se fazendo lembrar até o pôr do sol Que só parte quando alta a lua A nos dizer - horário de verão Secos ao Sol e lavados na chuva “se a chuva é purificação, então deixa molhar” Sangrar / escorrer / transpassar / regar / chorar... Sou chuva lançada do céu Sou lágrima lançada dos olhos Caio, deito, evaporo... e volto a cair... Milene Paula

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Cansada de tentar entender o porquê não eu? Encontrar sentido nas ausências dos vazios nunca preenchidos Não há como enquadrar o enquadrável, justificar a solidão Quem sabe este seja eu Um mar incapaz de saciar a sede por seu teor salíneo In-com-pa-ti-bi-li-da-de... Punhado de sonhos perdidos ao abrir dos olhos Vontades contidas em sabores não reconhecidos Assim como os rostos, abraços, e bocas Que até posso desenhar, por trazer na memória Claro, que de outra vida, embora não saiba existir (mas espero ter sido feliz em outra) Porque memória é do que se viveu, experimentou, saboreou E desejou ter pra sempre... Solidão Não é estado, é sobrenome Meu sobrenome – identidade - impressão digital Cansada de tentar entender o porquê? O belo, o saber e o amor tem um dialeto próprio A beleza da lua é luar para uns e poesia para outros Serenata a quem se atreveu E simplesmente lua a ser observada da janela e indagada: - Por que não eu? Me importei outrora, hoje sou observador Traçarei um novo...
_Qual a sensação do olho no olho? _... _Aquele instante em que se cruzam os olhares? _... _A vontade que não precisa ser expressa? _... _O sorriso que representa o melhor acontecimento do mundo? _... _Explique-me esse querer tão bem? E estar tão bem ao lado de alguém? _... _O mover ritmado dos lábios sincrônicos? _... _Qual a sensação da pele sendo roçada? _... _Como o silêncio pode conter todos os segredos? Se não se diz absolutamente nada? _... _Por que basta estar perto contentando-se com o pulsar do coração? _... _Não, não diga nada! Não sei se posso lidar com as coisas que desconheço! _... _Não! Nunca cheguei próximo do que dizem ser amor!
Não está bastando o grito mudo. Os pensamentos obscuros só servem para desfazer o lençol sem que adormeça. A cabeça está prestes a explodir. Desistiu de falar. Não há quem ouça. Cansou dos que apenas ouvem mais não escutam. Muitos não sabem a diferença. As lágrimas apenas lubrificam os olhos. Na mente só sonhos desconexos e conturbados. Uma luta interior que não ousa vivenciar. Preocupa-se, pois sabe que são todos seus fantasmas. Suas rimas podres, seus dias de socialização. Quem dera poder ser feliz sozinho! Quem dera experimentar o sabor! Quem dera ser outro aos olhos de outro! Quem dera esquecer, deitar e sonhar! Milene Paula
Como não sentir minha falta? Olho meus desenhos, meus textos, minhas fotos e sinto falta de mim. Da poesia, da criatividade, da simplicidade. Cresço e deixo coisas boas pra trás. Como fazer para que isso não ocorra? Para carregar comigo as boas partes de mim? Até chorar é preocupante. Não sei o que estou perdendo junto as lágrimas. Preciso de tudo que caracterize eu, dentro de mim. Tenho guardado coisas banais a outros olhos mas, essenciais a minha sanidade. Ressurge um brilho em meus olhos cada vez que as encontro ao acaso entretida em outras buscas. A ideia não é voltar para trás, é seguir sem perder a identidade. Sem ser engolido pelo fator social. Sem que um dia me olhe no espelho e não saiba quem sou. Não por doença mais por uma memória não construída pelas peças fundamentais não agregadas a mim. Milene Paula

Tem dias...

Tem dias que as palavras brotam! Tem dias que sufoca não dizer! Tem dias que é necessária a autoafirmação! Tem dias que precisam de consentimento! Tem dias que a mente precisa se perder!
O quão ruim será desejar a morte? Não a nossa, a de outro! O quão ruim será o não se importar com a partida? Sentir-se aliviado, embora constrangido? O quão ruim é alguém não te tocar ao ponto de ser possível o derramamento de uma lágrima? O quão ruim é não sentir absolutamente nada? Apenas uma ponta de satisfação por pessoas que ama, embora, neste momento tristes, estarão bem melhores nos dias porvir? O quão ruim será desejar a morte? Servir-lhe um chá e dizer muito obrigado!