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Cansada de tentar entender o porquê não eu? Encontrar sentido nas ausências dos vazios nunca preenchidos Não há como enquadrar o enquadrável, justificar a solidão Quem sabe este seja eu Um mar incapaz de saciar a sede por seu teor salíneo In-com-pa-ti-bi-li-da-de... Punhado de sonhos perdidos ao abrir dos olhos Vontades contidas em sabores não reconhecidos Assim como os rostos, abraços, e bocas Que até posso desenhar, por trazer na memória Claro, que de outra vida, embora não saiba existir (mas espero ter sido feliz em outra) Porque memória é do que se viveu, experimentou, saboreou E desejou ter pra sempre... Solidão Não é estado, é sobrenome Meu sobrenome – identidade - impressão digital Cansada de tentar entender o porquê? O belo, o saber e o amor tem um dialeto próprio A beleza da lua é luar para uns e poesia para outros Serenata a quem se atreveu E simplesmente lua a ser observada da janela e indagada: - Por que não eu? Me importei outrora, hoje sou observador Traçarei um novo...
_Qual a sensação do olho no olho? _... _Aquele instante em que se cruzam os olhares? _... _A vontade que não precisa ser expressa? _... _O sorriso que representa o melhor acontecimento do mundo? _... _Explique-me esse querer tão bem? E estar tão bem ao lado de alguém? _... _O mover ritmado dos lábios sincrônicos? _... _Qual a sensação da pele sendo roçada? _... _Como o silêncio pode conter todos os segredos? Se não se diz absolutamente nada? _... _Por que basta estar perto contentando-se com o pulsar do coração? _... _Não, não diga nada! Não sei se posso lidar com as coisas que desconheço! _... _Não! Nunca cheguei próximo do que dizem ser amor!
Não está bastando o grito mudo. Os pensamentos obscuros só servem para desfazer o lençol sem que adormeça. A cabeça está prestes a explodir. Desistiu de falar. Não há quem ouça. Cansou dos que apenas ouvem mais não escutam. Muitos não sabem a diferença. As lágrimas apenas lubrificam os olhos. Na mente só sonhos desconexos e conturbados. Uma luta interior que não ousa vivenciar. Preocupa-se, pois sabe que são todos seus fantasmas. Suas rimas podres, seus dias de socialização. Quem dera poder ser feliz sozinho! Quem dera experimentar o sabor! Quem dera ser outro aos olhos de outro! Quem dera esquecer, deitar e sonhar! Milene Paula
Como não sentir minha falta? Olho meus desenhos, meus textos, minhas fotos e sinto falta de mim. Da poesia, da criatividade, da simplicidade. Cresço e deixo coisas boas pra trás. Como fazer para que isso não ocorra? Para carregar comigo as boas partes de mim? Até chorar é preocupante. Não sei o que estou perdendo junto as lágrimas. Preciso de tudo que caracterize eu, dentro de mim. Tenho guardado coisas banais a outros olhos mas, essenciais a minha sanidade. Ressurge um brilho em meus olhos cada vez que as encontro ao acaso entretida em outras buscas. A ideia não é voltar para trás, é seguir sem perder a identidade. Sem ser engolido pelo fator social. Sem que um dia me olhe no espelho e não saiba quem sou. Não por doença mais por uma memória não construída pelas peças fundamentais não agregadas a mim. Milene Paula

Tem dias...

Tem dias que as palavras brotam! Tem dias que sufoca não dizer! Tem dias que é necessária a autoafirmação! Tem dias que precisam de consentimento! Tem dias que a mente precisa se perder!
O quão ruim será desejar a morte? Não a nossa, a de outro! O quão ruim será o não se importar com a partida? Sentir-se aliviado, embora constrangido? O quão ruim é alguém não te tocar ao ponto de ser possível o derramamento de uma lágrima? O quão ruim é não sentir absolutamente nada? Apenas uma ponta de satisfação por pessoas que ama, embora, neste momento tristes, estarão bem melhores nos dias porvir? O quão ruim será desejar a morte? Servir-lhe um chá e dizer muito obrigado!
R imas boas são provocadas. Ou seja, preciso de provocação! Lábios que necessitam dizer a outros os segredos mudos. Palavras que só podem ser ditas se estimuladas pelas palavras certas, momentos necessários, rimas que não as de amor. Preciso do encontro com os olhos teus. Estar em teu abraço, inteira, entregue, provocada! Quero que diga para completar você! Ser você! Moldar as minhas rimas através das suas. Através do sentir meu que sei em você... Minha sentença, meu “centramento” negam-me até o sabor provocador de próprias palavras. Nega-me a sua boca na minha. Os sonhos contigo. As brigas que não chegarão a acontecer. E nem sou eu sem você.