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Estou em dias ocos! Em dias sem, dias nem, dias vazios... INCOMPLETA-DESCONEXA-AQUÉM... Onde ficaram meus sonhos? Por que os perdi antes de vivê-los? Por que vivo a fantasiar o impossível? Antes aqui, hoje, não sei! Quem fui, quem outrora serei Paciente e refém Do doutor mi Do doutor meu Psicólogo do talvez Enlouqueço, eço E me esqueço Travesso Avesso De preço, depreciado Abandonado Enfim Em mim Milene Paula (28 abr. 2011)

Dependência

Quando alguns absurdos acontecem na vida, algumas palavras saltam à mente, então, como uma boa apreciadora das palavras, busco por sua origem, seu significado e, pra surpresa ou, maior indignação, lá, no dicionário, encontra-se a tradução literária da situação real. Dia : segunda-feira Data : 28 de fevereiro de 2011 Local e horário : Santo André, ônibus, às cinco horas da tarde Trajeto original : 15 minutos Trajeto alterado, trastornado : 1 hora e 30 minutos Tempo : chuva torrencial No interior do ônibus : uns 28°; janelas fechadas; abafado; conversa alta; gases e música alta, enfim... Convívio com os da mesma espécie : zero. O desrespeito impera sobre o ser humano. Do lado externo : muita gente caminhando apressada com seu guarda-chuva , outros, à "espera de um milagre". E muita água. Na minha mente : DE-PEN-DÊN-CIA No Aurélio : Dependência: Estado de dependente. Sujeição, subordinação. Quando nos tornamos "sujeitos" a esse absurdo? No mesmo momento...
distrai-se por um único minuto... magoa alguém... ninguém lhe explica por quê... por um minuto perde momentos inteiros... histórias que seriam especiais... fecha os olhos e não entende aonde... abre os olhos e não sabe onde estás... coloca a cabeça no travesseiro e... deixou alguém pra trás não teve a intenção... o mundo está seguindo seu curso... quando pisca está em outra dimensão... desculpas é o que tem a oferecer no momento... desculpas... queria que estivesse aqui... o que será daqui pra frente não faz ideia... o que se foi é a essência permanente... o que se foi é o ingrediente vital... quando voltas lembrança... quando serei eu... o pedaço que um dia fora completo... quando... magoei acredito eu... embora tudo não passe de vida... simples, pura e intransigente
E lá vamos nós! Rumo a mais um final de ano, a mais uma contagem regressiva... De novo renovam-se as promessas, os votos de melhora e de se tentar mais uma vez. Temos doze meses pra fazer tudo isso mas, espera-se o dia trinta e um de dezembro, espera-se o fechar de um ciclo, espera-se completar doze meses pra que se comece de novo, pra ser outra pessoa... Deposita-se as fichas numa chance de ficar milionário e resolver toda uma vida, perdoa-se tudo, esquece-se o passado e, estamos assim, prontos pra virar o ano! Será? Trocamos o plug e estamos preparados pro novo mundo! Fala sério! Vive-se e morre-se todo o tempo, portanto, sejamos outros e renovemos nossos votos e promessas todos os dias. Perdoe de verdade e liberte-se das banalidades que te consumirão a vida. Afinal, vive-se um dia de cada vez, não se prevê toda uma vida num passar de ano! Pense nisso!

Um lord em minha vida

Não sei precisar quando aconteceu... Com certeza não foi quando eu cheguei! Quem sabe foi ao som de "Samba meu" ao pé do ouvido ou quando, com todo esse tamanho mínimo, tentava se aninhar em meu colo ou, quando me deu um primeiro selinho furtivo... De repente já nos comunicávamos com o olhar, tomávamos café em sua xícara preta e trazia músicas pra eu ouvir, além de cds sequestrados com sua permissão. Só gosto do SEU peito cabeludo, nenhum outro é tolerável! Acho que aconteceu muito mais do que um poli dance na cruz. rs Quando dei por mim já era um mal necessário, tinha ganho um amigorado e precisava contar os pêlos que continha nas mãos... Quando dei por mim, não me via sem você, já conhecia seu estado de espírito e suas expressões... Não sei precisar quando aconteceu mas, quando dei por mim, percebi que sinto muito a sua falta. E agora, não sei o que farei sem ti, pois, não temos mais em nossas agendas um horário em comum, a vida seguirá itinerários distintos e não...

Apresente-se!

Bom... sou a mais velha de três filhos... perdi uma avó recentemente... odeio transporte público mas, infelizmente necessito dele pra me locomover... gosto de roxo... gosto de ficar só com meus pensamentos... prefiro o silêncio a retrucar coisas estúpidas ou, dar-lhes atenção... Às vezes, choro... me irrito facilmente... amo o simples... aprecio os amigos... sinto falta das pessoas mesmo que não diga... Costumo ser bem estranha... música me acalma... prefiro salgado ao doce... tenho medo do mundo que criamos... já não tenho mãe... mas amo a madrasta que tenho... é difícil de alguns acreditarem mas, amo meus irmãos... gosto de privacidade... gosto de organização... acho que tenho TOC... penso mil coisas por segundo... falo sozinha... escrevo pra esvaziar a mente e dizer o que os lábios recusam-se ou, ainda não sabem... Sou movida por imagens... há algum tempo que não desenho... que não toco violão... que não vejo algumas pessoas... ser adulto não me libertou de muitas dúvidas...

1918*2010

Linda senhora, Já não sinto o cheiro delicioso da manhã regado por teu mingau... já não se tem couve picada bem fininha... já não brilham as bocas do fogão... Pra onde foi? São noventa e dois anos desde o teu nascimento, e hoje, sofrem pelo teu falecimento. As lágrimas são pra guiar teu caminho e aliviar corações comprimidos... A benção minha vó! Ecoa a cadeira de balanço no canto do quarto e a missa finda-se no rádio. Nem o bem-te-vi no fim te visitou. Também calo-se em respeito aos teus cabelos brancos e sua pele enrugada. Negra Ana, negra guerreira, negra matriarca, negra Mariana... uma canção... Vai-se e deixa uma legião de negros fortes. Filhos, netos e bisnetos. Herdeiros de Seu'Jão e Donana. Herdeiros de bons princípios... Já não se ouvirá a agulha de crochê raspando no dedo e os chinelos arrastando pelo chão... aliás, há algum tempo que já não se ouvia, mas a lembrança guarda-os com precisão. Nos últimos dias ecoava pragas, preces, canções, às vezes, uma "ai, ai, ai, A...