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Me surpreendi com um céu azul marinho e, por ainda existir estrelas...
Cheguei e não me desfiz da rua. Olho ao redor como se ao mundo não pertencesse. De certo, acredito não pertencer a este lugar... Olho pros meus pés calçados, procurando entender porque permanecem trancafiados, aprisionados sem ar. Por que ainda permito que me apertem os sapatos? Há tempos que estou em casa embora, não reconheça este lugar! Provável que haja esperança de sair e caminhar.

Não é uma palavra de agradecimento!?

Respeito. Ah, o Respeito! Quando foi que caiu em desuso? Quando o perdemos e não nos demos conta? Quando acabou? Incrível como foi fácil ultrapassar a linha tênue do limite. O outro? Não é problema meu! Apenas um mundo, o mesmo pedaço de terra, e não somos capazes de viver juntos. Você é OBRIGADO a ouvir minha música. Você é OBRIGADO a saber da minha vida altas horas da noite, pois estou a gritar na sua janela, ou no meu celular. Você é OBRIGADO a se espremer no ônibus porque minha mochila não pode ir no chão ou a frente do meu corpo. Você é OBRIGADO a sair da sua casa porque você não pagou pelo meu pedaço de terra ocioso. Você é OBRIGADO a trabalhar toda uma vida e não ter nada, porque eu determinei que seria assim. Você é OBRIGADO a discutir sobre o estupro num "reality show" porque eu não permito que você tenha opinião própria e desligue sua TV ou, mude de canal. Você é OBRIGADO... Você é OBRIGADO!? OBRIGADO!? Não é uma palavra de agradecimento!? Alguém...

Palavras que matam

Sim, existem palavras que matam mas, nesse caso, matam a saudade! Tenho um amigo de palavras e, quando ele as profere fico inebriada, sou convocada a uma reação. Sou esbofeteada por sua poesia! Você não acredita em anjos? Eu tenho um! E ele é poeta!
E isso é o resultado, alliás, um dos! O outro está no meu perfil do face! Ao menos quando eu olhar pela janela... Quero ter a certeza de tê-lo sorrindo Ouvi-lo sussurrar seus melhores poemas dormindo (ou embriagado!) E acariciar seu cabelo de outrora cacheado Ao menos quando eu olhar pela janela... Mostre-me o único raio de Sol, seu local mais quente E sei que não será o coração Ao menos quando eu olhar pela janela... Acreditarei ser feliz O horizonte convida ao desconhecido E o que não se faz saber gera esperança (a grama do vizinho sempre é mais verde) Ao menos quando eu olhar pela janela... Imaginarei a distância percorrida Até o impacto de um corpo ao chão Ao menos quando eu olhar pela janela Terei sido eu Não apenas uma ilusão Milene Paula (21 jan. 2012)
Passou de ESTADO para SER / Já não crê em mudanças significativas a esse respeito / Ilusão é muito mais do que imagens vindas a mente / Torna-se um desistir de QUERER / Um sonho sabido sonho / Ideia que só pertence ao papel / Caminho não trilhado por uma volta / Vai-se sem que haja depois

AMIGOS

O s meus eu conto nos dedos Localizo nas estrelas Reconheço através do olhar É estranha essa conexão. Um dia você conhece uma pessoa e, sem nem mais porque, não pode viver sem ela mas, a vida não é assim, aqui não existe para sempre como os contos infantis, e os caminhos seguem rumos diferentes, levam a outros destinos e tudo que fica é a lembrança dos momentos bons, a saudade, que só a nós brasileiros pertence. Saudade que não cala e não sara com um simples encontro. Saudade egoísta que necessita comer, embeber a presença do outro. Os meus momentos bons são feitos de família e amigos. Não costumo dizer a eles o quanto são importantes e como fazem falta, mas "são" e "fazem". Fazem meus olhos brilharem, os lábios sorrirem e a mente refletir, sonhar e acreditar. Os conto nos dedos feliz por tê-los nas mãos, nos pés e entre eles algumas falanges. Me garantindo um pouco de cada um comigo. Milene Paula 28 dez. 2011